terça-feira, 31 de março de 2009

EXERCÍCIO FÍSICO E MORTE SÚBITA

Quando procuramos estabelecer uma relação entre o exercício físico e a morte súbita de origem cardíaca, o pensamento pode nos direcionar tanto para aspectos preventivos associados a tal prática quanto pode nos alertar para fatores relacionados ao tema como uma verdadeira causa. Em outras palavras, o exercício tem sido e realmente pode ser visto de forma antagônica. Se por um lado existe um imenso potencial preventivo na relação entre exercitar-se e morrer subitamente, também existe um risco definido de se morrer subitamente durante ou, especialmente, após a atividade física. Por isso, a morte súbita relacionada ao exercício deve ser analisada de forma crítica, ser embasada nas evidências disponíveis, sendo levada muito a sério, pois mesmo pouco freqüente, quando incidente, tem sempre um impacto profundo na comunidade médica e na população em geral.
Visto pelo ângulo positivo, o hábito de exercitar-se de forma regular e crônica proporciona um efeito protetor na prevenção primária e secundária da doença arterial coronária. Alguns destes benefícios podem ser oriundos da diminuição na progressão ou, até mesmo, na regressão da aterosclerose coronária. A melhora no condicionamento físico atlético também pode relacionar-se a alterações benéficas no perfil lipídico, à perda de peso, à diminuição na freqüência cardíaca e na pressão arterial de repouso. Além disso, a prática continuada de atividades aeróbias possibilita uma melhor extração periférica de oxigênio pelos músculos esqueléticos, possivelmente estimula a circulação colateral miocárdica e aumenta a sensibilidade à insulina, entre outros tantos efeitos recomendáveis.
No entanto, uma pequena parcela das pessoas possuem patologias que fazem com que o exercício possa perder este papel de proteção contra eventos cardiovasculares agudos. Tais situações independem do nível de condicionamento físico, podendo acometer atletas altamente treinados ou pessoas que praticam exercícios físicos apenas eventualmente.
Define-se como morte súbita relacionada aos exercícios a morte que ocorre quando da realização de atividade física ou até uma hora após seu término. Deve-se acrescentar a esta definição mais um elemento: a morte deve ser provocada por algum transtorno no funcionamento normal do sistema cardiovascular, a fim de que sejam excluídos atletas que venham a falecer quando da prática de esportes com risco de vida intrínseco, como pára-quedismo, alpinismo, automobilismo, entre outros.

Triatletas correm risco de morte súbita maior do que maratonistas
Probabilidade de ter o problema é duas vezes maior durante triatlo. Maior perigo está na parte aquática do percurso atlético.

Mortes súbitas em eventos de triatlo acontecem mais frequentemente na etapa de natação das provas. Essa foi a conclusão de uma pesquisa realizada pela Universidade da Califórnia e apresentada no Congresso do Colégio Americano de Cardiologia, em Orlando, na Flórida.

Apesar do risco de morte súbita de atletas ser estatisticamente baixo, quando ocorre uma fatalidade o impacto sobre os espectadores e na mídia é sempre alto. Ao analisarem os registros de incidentes em provas de maratona e de triatlo, nos Estados Unidos, os médicos encontraram uma frequencia de mortes quase duas vezes maior no triatlo do que nas maratonas. A taxa de risco encontrada foi de 0,8 mortes súbitas para cada 100 mil maratonistas. No triatlo esse risco subiu para 1,5 mortes para cada 100 mil participantes.
Como a quantidade de corredores em maratonas é maior a cada evento, os organizadores já estão tomando medidas de precaução, como exigência de avaliação médica prévia para a inscrição.

O triatlo vem atraindo cada vez mais adeptos. Nos Estados Unidos, o número de atletas registrados cresceu de 15 mil para mais de 100 mil em sete anos. No Brasil existem 19 federações estaduais do esporte. A Associação Internacional de Triatlo estima que mais de 1 milhão de pessoas treine e participe de competições em todo o mundo.
Ao estudarem os resultados das necropsias dos triatletas que faleceram a cardiomiopatia hipertrófica foi o diagnóstico mais frequente. Essa alteração do coração aumenta o risco de arritmias que podem levar a morte súbita. Não foi encontrada uma explicação para o fato das mortes ocorrerem mais na etapa aquática do triatlo. Algumas hipóteses lógicas apontam para a dificuldade de se pedir ajuda durante a prova e mesmo o número muito grande de pessoas nadando juntas, impedindo a visualização de um atleta com problemas.
A recomendação dos especialistas é de que todo atleta seja submetido a uma avaliação cardiológica que busque prevenir as causas de morte súbita.
Fonte: HA Bronzatto; RP da Silva; R Stein. Morte súbita relacionada ao exercício.Rev Bras Med Esporte vol.7 no.5 Niterói Sept./Oct. 2001.
Luis Fernando Correia é médico e apresentador do "Saúde em Foco", da CBN e G1
Visite o médico especialista, faça um teste de esforço com regularidade, pratique exercícios físicos elaborados por profissionais de educação física. Cuide mais de sua saúde!!!!
Bons treinos!
Joana Reis
-Personal Trainer e preparadora física

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